sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

VÍTOR ALVES E O POSTO DE COMANDO


O desaparecimento do Capitão de Abril Vítor Alves não mereceu, como tem vindo a ser uma constante dos nossos meios de comunicação social, o merecido destaque. As nossas televisões e os nossos jornais preferiram noticiar até à exaustão a morte (mesmo que brutal, como foi) de um cronista “cor-de-rosa”. Tornámo-nos um país irreal, que esquece tudo a troco de uma vida de virtual: “tertúlias” cor-de-rosa ao pequeno-almoço, telenovelas ao almoço, telenovelas ao lanche, telenovelas ao jantar e Casa dos Segredos ao deitar. A nossa memória colectiva, o legado que devíamos deixar às gerações futuras, fica-se por uma evocação “fora de moda”, quase que envergonhada, da nossa história recente. Falar do 25 de Abril hoje é considerada coisa de saudosistas, justamente pelos mesmos “opinion makers” que fazem questão de se deliciar com os “amores de Salazar”, ou de garantir que o fascismo também tinha coisas boas.
Vítor Alves foi um dos principais organizadores do 25 de Abril, foi o autor do primeiro comunicado do MFA, lido por Joaquim Furtado ao microfone do Rádio Clube Português, foi o substituto de Otelo Saraiva de Carvalho no Posto de Comando na tarde de 25 de Abril e foi ele quem leu o Programa do MFA aos jornalistas presentes na conferência de imprensa dada pela Junta de Salvação Nacional na manhã de dia 26 de Abril na sala de operações do Posto de Comando. Por este último facto, a nossa foto passa a ser o testemunho desse episódio muito simbólico da participação de Vítor Alves em todo o processo revolucionário e no Posto de Comando do MFA.
Finalmente, não deixaremos de organizar uma homenagem local a este homem, autor das palavras que, naquela “madrugada que nós esperávamos, no dia inteiro e limpo”, mais ansiávamos ouvir na rádio: “Aqui, Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas!”

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

PLANO ANUAL DE ACTIVIDADES: JUNHO 2010-JUNHO 2011

Todas as actividades do movimento cívico terão muito a ganhar em serem implementados em parceria, designadamente com a Câmara Municipal de Odivelas, as Juntas de Freguesia da Pontinha, de Carnide e de Alfornelos e outras instituições, associações e movimentos cívicos.

1. Classificação patrimonial do Posto de Comando
Recolher o máximo possível de assinaturas da petição on-line pela classificação patrimonial do Posto de Comando do MFA, para apresentar na Assembleia da República no início do ano de 2011.

2. Entrevista aos operacionais
Proceder à recolha de entrevistas em vídeo com os operacionais do Posto de Comando, para a produção de materiais didácticos destinados prioritariamente às escolas: vídeos, brochuras, livro.

3. Programa na TV Nova Odivelas
Garantir um programa semanal na TVNO, com a duração de 3/5 minutos, onde se dê a conhecer a actividade do nosso movimento cívico.

4. Conferências do Posto de Comando
Promover a organização do 1º Ciclo Anual de “Conferências do Posto de Comando”, em torno do Estado Novo, da Resistência e do 25 de Abril. O local privilegiado da sua realização é o Auditório do Posto de Comando.

5. Divulgação do Posto de Comando
Iniciar a divulgação do Posto de Comando nas escolas, associações e outras instituições das três freguesias limítrofes do Posto de Comando: Pontinha, Carnide e Alfornelos e em todo o concelho de Odivelas.

6. Memorial ao Posto de Comando e ao 25 de Abril
Lançar a discussão e os contactos institucionais para a concretização desta ambição de longa data. Criar condições para a sua implementação com participação pública.

Posto de Comando Sempre – Movimento Cívico / Junho 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MOVIMENTO CÍVICO DOS AMIGOS DO POSTO DE COMANDO



A Câmara Municipal de Odivelas manifestou a intenção de iniciar o processo de classificação do Regimento de Engenharia 1. Tornada pública a notícia, não tenho dúvidas em aplaudir a iniciativa autárquica. Classificar aquele quartel é mais do que justo, pelo que representa para a Pontinha, para o concelho de Odivelas e para o país. De facto, aquela Unidade militar tem colaborado, desde longa data, na resolução de problemas da população, aderiu prontamente à celebração do protocolo com a câmara sobre o Posto de Comando e tem desempenhado notáveis missões humanitárias no estrangeiro, designadamente em palcos de guerra.
Em todo o caso, sem querer ser pessimista em relação à ambição do projecto autárquico, não posso deixar de manifestar algum receio de que, pretendendo classificar um quartel com uma área tão significativa, acabe por dificultar a classificação do edifício do Posto de Comando. Espero, muito sinceramente, que isso não venha a acontecer. Estarei incondicionalmente na primeira linha da defesa da proposta da câmara.
Quanto à petição na Internet, ela manter-se-á até que o processo seja entregue pela câmara ao IGESPAR. Servirá de apoio cívico à classificação, pelo menos, do Posto de Comando. Já ultrapassámos o milhar de assinantes e queremos chegar aos 5.000.
Finalmente, quero congratular-me com a decisão de criar um movimento cívico por parte de um grupo de subscritores da petição pela classificação patrimonial do Posto de Comando. Já se realizaram duas reuniões e temos, em cima da mesa, um nome para esse movimento cívico: POSTO DE COMANDO SEMPRE.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

MOVIMENTO CÍVICO DO POSTO DE COMANDO

O Almirante Victor Crespo junto da sua figura no Posto de Comando.

Na sequência dos apelos lançados, está em marcha a criação de um movimento cívico a favor do Posto de Comando do MFA. Já se realizaram duas reuniões de subscritores da petição pela sua classificação como monumento nacional. Dessas reuniões, resultaram os objectivos centrais deste movimento cívico, a saber:
1) Lutar pela classificação patrimonial do Posto de Comando como Imóvel de Interesse Nacional ou de Interesse Público.
2) Dinamizar o Posto de Comando, promovendo iniciativas no seu espaço, designadamente em parceria com outras instituições.
3) Divulgar o Posto de Comando, prioritariamente no concelho de Odivelas e nos concelhos limítrofes, sobretudo entre os estudantes.
4) Promover a instalação de um Memorial ao 25 de Abril e ao Posto de Comando do MFA.
5) Sensibilizar a sociedade civil para os objectivos do Movimento, com vista à sua colaboração activa.

Contamos com o apoio e empenho dos amigos do Posto de Comando.

sábado, 1 de maio de 2010

PRESIDENTE DA JUNTA DA PONTINHA A FAVOR DA CLASSIFICAÇÃO DO POSTO DE COMANDO

Destacamos aqui o discurso do Presidente da Junta de Freguesia da Pontinha, em que defendeu que o Posto de Comando "Seja preservado, dignificado e elevado à categoria de Monumento Nacional (...) Não basta ser Monumento de Interesse Municipal, não basta enumerarmos um sem número de intenções, queremos dar-lhe mais dignidade, queremos deixar às actuais gerações e às vindouras, um Local reconhecido por Lei, para que perdure no coração e seja referenciado como símbolo da verdadeira liberdade" (jornal NOVA ODIVELAS, 30/4/2010, p. 8).
É desta forma clara e objectiva que os políticos se definem quanto ao apoio incondicional a uma causa nobre, tanto mais que, bem sabemos, foi sempre esta a postura do presidente da Junta da Pontinha sobre o Posto de Comando.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

AMIGOS DO POSTO DE COMANDO-12

Visita de estudantes ao Posto de Comando.

O Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA tem um problema grave desde que foi criado, em 2001: a falta de garantia da sua preservação enquanto espaço de memória do 25 de Abril. Na verdade, não se trata verdadeiramente de um museu, integrado na rede nacional (nem local) e, em consequência, está dependente do quartel onde está instalado, o Regimento de Engenharia Nº 1 - Pontinha. Se o quartel for desactivado, o NMPC corre sério risco de desaparecer.
É imperioso, portanto, que se faça alguma coisa antes que esse cenário possa ser uma realidade. E mesmo que não perfile no horizonte – como já se perfilou –, há que dignificar aquele espaço como merece. A melhor forma de afastar definitivamente esse perigo e de o dignificar é classificar o Posto de Comando, no mínimo, como edifício de interesse público. A possibilidade maximalista seria classificá-lo como monumento nacional. Contudo, já vimos que nenhuma autoridade pública manifestou a intenção de o fazer. Quer os poderes locais, quer os poderes centrais, sempre se mantiveram à margem do problema. Resta o poder dos cidadãos. Só um significativo movimento cívico poderá forçar quem de direito a cuidar deste património tão simbólico para a conquista da democracia e da liberdade proporcionada pelo MFA.
É essa a finalidade da criação da de um espaço dos Amigos do Posto de Comando no Facebook. Vamos criar um movimento cívico que ponha a circular uma petição para apresentar à Assembleia da República, no sentido de tomarem todas as providências necessárias à preservação do edifício onde se instalaram os militares que comandaram as operações de 25 de Abril de 1974.
Torne-se “amigo” da rede do Posto de Comando no Facebook, assine a petição e traga outros amigos para esta causa cívica.

A ESCOLHA DO POSTO DE COMANDO - 11

A escolha do RE-1 para Posto de Comando na "Ordem de Operações", de Otelo Saraiva de Carvalho.

À beira do 36º aniversário do 25 de Abril, muita gente desconhece ainda a razão da escolha do Regimento de Engenharia Nº 1, na Pontinha, para Posto de Comando do MFA. Vamos, esta semana, divulgar como se processou essa escolha e o excerto do Plano de Operações do major Otelo Saraiva de Carvalho onde se atribui a missão ao Posto de Comando.
A escolha do RE-1 para comandar as operações do 25 de Abril partiu de uma sugestão do tenente-coronel Nuno Fisher Lopes Pires, que tinha sido segundo comandante daquela unidade militar até ao dia 6 de Março daquele ano. O capitão Luís Macedo, outro militar do RE-1 e ainda em serviço durante as operações do 25 de Abril, apoiou a proposta e não houve dúvidas em aceitar a sugestão de Lopes Pires, visto que reunia todas as condições necessárias: estar perto de Lisboa, mas fora da cidade, ser uma unidade da confiança do MFA, dar poucas possibilidades de as forças governamentais a descobrirem, dado que se tratava de uma unidade de engenharia e não de artilharia, por exemplo, como seria mais provável.
Eis o texto do Plano de Operações:
“Protege e defende a unidade a todo o custo. Selecciona um local elevado para montagem do PC. Selecciona um local, bem guardado, onde possam ser recebidos os oficiais superiores e os agentes da Brigada de Trânsito da GNR presos, a seguirem ao seu destino findo o estado de insurreição. Prepara a central telefónica para a emissão e recepção de telefonemas.”
(Plano de Operações, Otelo Saraiva de Carvalho).
E, tal como se previa, ali ficaram detidas algumas figuras gradas do regime, tais como Marcelo Caetano, o presidente do Conselho de Ministros e Silva Pais, o chefe da PIDE/DGS. Respeitosamente tratados pelos Capitães de Abril, seriam libertados e pacificamente conduzidas a casa ou ao exílio.